“Nossas dúvidas são traidoras, e nos fazem perder o bem que sempre poderíamos ganhar, por medo de tentar.”William Shakespeare”

    Quando somos jovens não alimentamos tantos sonhos grandiosos, a ambição de escrever ou pintar, de abrir um negócio ou de fazer alguma espécie de trabalho criativo? Quase todos nós sonhamos. Na verdade, se formos bem sinceros, teremos de reconhecer que sonhamos quando jovens e que continuamos sonhando sempre, até hoje. O que muda é que, de repente, os sonhos vão perdendo a posição central que gozavam em nossas vidas e surgem – principalmente como “desculpa” que damos a nós mesmos – os “compromissos”. Uns dizem que têm de trabalhar muito; outros, que gostariam de escrever um romance, mas não têm tempo, porque tem o “dia cheio”; outros, ainda, que gostariam de pintar, mas estão com um problema no olho esquerdo. As explicações são as mais variadas e todas, sem exceções, não passam de desculpas para justificar o fato de que não realizaram desejos mais profundos.

Pense, por exemplo, em Júlio César. Você sabia que ele escreveu seus textos numa tenda de campanha, à noite, enquanto todo o Exército Romano dormia, e que no dia seguinte, bem cedo, estava pronto para voltar ao combate?

Você sabia que Händel escreveu suas melhores partituras depois de ter sido desenganado pelos médicos? E que Beethoven continuou compondo música mesmo depois de estar completamente surdo? Pense, em Aníbal e Lorde Nelson: os dois grandes generais, e os dois cegos de um olho. Francis Joseph Campbell, também cego, foi um dos maiores matemáticos que o mundo conheceu, além de músico.

Mas “gente como a gente” é diferente. Surge uma pequena dificuldade e começa: “Ah, não vou conseguir. Jamais serei capaz de fazer o que quero fazer…”

Pense no Robson Crusoé, Daniel Defoe: escreveu seu romance na prisão. John Bunyan, escreveu Viagem do Peregrino no cárcere. Lutero traduziu a Bíblia durante o tempo em que permaneceu no Castelo de Wartburg. Dante trabalhou durante vinte anos, vivendo no exílio e depois de ter sido condenado à morte, e Dom Quixote foi escrito por Cervantes numa cela de prisão, em Madri.

Aí, vem você e supira: “Sim, tudo bem, mas eu tenho de trabalhar”. Ora… você já viu quantas páginas tem o livro… E o Vento Levou? Pois fique sabemdo que Margaret Mitchell escreveu todas aquelas centenas de páginas ao mesmo tempo que trabalhava, em horário integral, como jornalista.

Será que você é daqueles que acha que um pequeno defeito no dedo indicador da mão esquerda, o impede de exculpir as estátuas de seus sonhos? Se é, fique sabendo que Lorde Cavanaugh, membro do Parlamento inglês, não tinha nem braços, pernas e elegeu-se sem precisar de ajuda de ninguém.

Ou pense, em Shakespeare, que jamais frenquentou uma escola, que apredeu sozinho a ler e escrever e, ainda assim, tornou-se um dos maiores dramaturgos e poetas de todos os tempos.

Agora, então, pense novamente nas ambições e nos sonhos que carrega escondidos em seu coração. E pense novamente, também nas desculpas que tem usado, para não realizá-los. Descubra que não há razões, nem explicações reais ou válidas, que são apenas desculpas.

Pois deixe de lado as desculpas esfarrapadas e trate de começar a dar vazão ao seu desejo de criar, por meio de uma autêntica atividade criativa. Lembre-se: Você é a única pessoa capaz de impedir o seu próprio progresso pessoal.

Fonte: Insight – Vol. III